Lydia Okumura

Lydia Okumura

Lydia Okumura

Lydia Okumura

  • Período
  • 06.02 — 23.04.2021

  • Abertura
  • 06.02 — 12hrs

  • Facebook
  • Twitter
  • Compartilhe por E-mail
  • Compartilhe por WhatsApp

“Eu nunca tento fazer de um espaço algo que ele não é, mas reafirmá-lo e expandir suas possibilidades”  —  Lydia Okumura 


Em 1978, Ellen Schwartz, diretora de exposições do Instituto Pratt em Nova York, escreveu “Lydia Okumura é uma artista maga. Dê-lhe um espaço —qualquer espaço — e ela vai enfeitiçá-lo por meio de pintura, corda ou vidro, com resultados inevitavelmente surpreendentes”. Aos 12 anos de idade, Lydia recebeu uma bolsa para estudar num estúdio profissional de cerâmica. Tendo a arte e o processo criativo como prioridade na vida, Okumura realizou sua primeira exposição individual de pinturas em 1968, aos 19 anos, na Galeria Varanda, em São Paulo.


Em 1971, durante seus estudos na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP, São Paulo), Okumura começou a pesquisar as potencialidades de intervir diretamente em espaços físico. Ela desafiava ativamente os espectadores a questionarem suas percepções do mundo ao seu redor, por meio de esculturas, instalações e obras em papel que apagavam os limites entre duas e três dimensões. Ainda em 1971, na exposição Jovem Arte Contemporânea, realizada no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Okumura desenvolveu três instalações que funcionavam em conjunto: Different Dimensions of Reality I, II e III. Estas obras produzem sombras como uma técnica de marcar o espaço, brincando com a distinção entre a ficção e realidade, utilizando formas geométricas simples como triângulos e quadrados. Diferente da OpArt, que faz o olho se mover pela obra de arte rapidamente, o processo de Okumura anima suas formas, permitindo que os espectadores tenham interações mais profundas e longevas com a obra. Estas peças marcam o início, para Okumura, de uma linguagem visual abstrata baseada em linha, forma e espaço. 


Embora não influenciada diretamente pelo Concretismo e Neo-Concretismo, que se desenvolveram no Brasil ao longo da década de 50, a obra de Okumura segue uma trajetória de abstração presente na arte latino-americana em geral. Podem-se notar similitudes entre o crescimento do vocabulário visual de Okumura e as primeiras obras de Waldemar Cordeiro, Lygia Pape e Hélio Oiticica. Quando Okumura mudou-se para Nova York em 1974 para estudar no renomado Pratt Graphics Center, sua obra continuava explorando arranjos formais e espaciais, tanto em instalações, quanto em suas obras em papel. Suas instalações começaram a incorporar a pintura diretamente na parede para conectar formas com pedaços de corda e linhas desenhadas em grafite, enquanto as obras em papel olhavam para a arquitetura com a pretensão de expandir espaços bidimensionais para tridimensionais.


Ao realçar os meios usando material e espaço, o estilo singular de Okumura é uma conglomeração das qualidades puramente formais presentes em toda a história da abstração geométrica. Como afirmou Mondrian, “a beleza universal resulta do ritmo dinâmico das relações mútuas das formas.” Com suas pesquisas espaciais, Okumura expande e renova a estética da abstração, ao sintetizar e transformar ideias de cor, forma e composição, assim como interatividade e percepção.



Fragmento do texto As Múltiplas Dimensões da Realidade, escrito pela curadora Rachel Adams para Situations, exposição individual de Lydia Okumura organizada pela UB Art Galleries (University of Buffalo, EUA, 2016).

  • Facebook
  • Twitter
  • Compartilhe por E-mail
  • Compartilhe por WhatsApp