TALK XOU 1: Pablo Accinelli

02.04.16 — 21.05.16

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02 abril – 14 maio

Curadoria  Luiz Roque

 

LR:Você conhece Brasília? 

PA:Sim, fui em 2007.

 

LR:Há quanto tempo mora em São Paulo? 

PA:2 anos, mais ou menos.

 

LR:Porque você decidiu se mudar de Buenos Aires para o Brasil? 

PA:Foi parte de uma lógica. Acho que meu trabalho sempre teve a ver com algumas coisas que se produziram ou se produzem aqui, e vir para cá foi uma forma de ficar mais perto de toda essa referência. Por sorte esta lógica já deu a volta e tudo ficou um pouco mais confuso.

 

LR:Você acha São Paulo amigável com os estrangeiros?

PA:Sim.

 

LR:Desde quando trabalha com vídeo? 

PA:O primeiro trabalho que fiz em vídeo foi em 2011, mas não penso muito sobre isso. Na realidade não sei quando uma escultura é uma escultura ou quando um vídeo não é uma escultura. Talvez esteja afetado por isso, e essa seja minha parte mais mística, menos concreta. Quando eu vejo que um trabalho meu não tem o aspecto do meio que dá a sua materialidade, penso que pode ser um bom trabalho.

 

LR:Já pensou em dirigir um filme de longa-metragem? 

PA:Mesmo que eu quisesse acho que não conseguiria. Para mim os diretores de cinema são medalha de ouro em todas as Olimpíadas.

 

LR:Que exagero … Você acha que a chamada videoarte é baseada, no sentido de ser uma característica fundamental, em uma apresentação em tempo contínuo? 

PA:Claro que não!

 

LR:O que é uma duração interna?

PA:Duração interna aponta para a consciência material de algo e não para a sua imagem fixa. Neste sentido tem a ver com a mutabilidade de seus estados, ou seja, com a impossibilidade de situá-lo em um meio porque basicamente ele está acontecendo, está ativo, não está definido, mesmo que ele esteja mantendo sua funcionalidade. Ao mesmo tempo há maneiras e maneiras de visualizar isso. Você pode propor exemplos de como tornar visível a flutuação de um objeto ou de um espaço, mas de nenhuma forma esses serão os únicos.

 

LR:Você já utilizou algum tipo de medicação para dormir?

PA:Não.

 

LR:Você medita ou utiliza algum método de concentração específico?  

PA:Sempre tento chegar antes nos lugares, para esperar. A espera aumenta os detalhes. Em Buenos Aires, particularmente, existe uma tradição sobre a temática da espera, músicas, livros, Fumando espero de Gardel ou o começo de Zama dedicado “A las víctimas de la espera”. Mas não me interessa a espera na sua dimensão melancólica, e sim em seu oposto, na sua dimensão presente, onde você está no mesmo nível de existência das coisas ao redor.

 

LR:Você joga futebol? 

PA:Cada vez menos, como tudo.

 

LR:O que são Técnicas Pasivas?

PA:Acho que tem a ver com um estado no qual se produzem algumas coisas. Quando movemos um vaso, estamos emitindo um sinal, quando sublinhamos em um jornal, estamos fazendo uma frotagem. Isso produz uma ferramenta ou uma forma de medir, de dizer algo. Incorporar esta ideia como um uso, ou gerar uma frequencia em relação a isto, pode produzir uma técnica X.  

 

LR:Se pudesse convidar alguma obra para estar junto com seu vídeo dentro do Glory Hole, qual seria? 

PA:Acho que seria uma de Victor Grippo. Um de seus baixos relevos alquímicos dentro de caixas brancas com rosas secas, formas em gesso, ferramentas, etc.

 

 

 

BIO / pablo accinelli
1983, La Boca, Buenos Aires
Vive e trabalha em São Paulo.

Exposições recentes incluem 30a. Bienal de São Paulo (2012), “When Attitudes Became Form Become Attitudes” (CCA Wattis, São Francisco, 2013), “No importa mi nombre” (Universidad Torcuato Di Tella, Buenos Aires, 2013), “Fleeting Imaginaries” (CIFO, Miami, 2014), “United States of Latin America” (MOCAD, Detroit, 2015), “Future Light – Escaping Transparency” (Bienal de Viena, MAK, 2015), “Extension du domaine du jeu” (Nouveau Festival, Centre Pompidou, Paris, 2015) e “Técnicas Pasivas” (Galerija Gregor Podnar, Berlin, 2016). Lecionou como professor associado no workshop de Jorge Macchi no programa de pós-graduação para artistas na Universidad Di Tella (2011 e 2009).

 

BIO / luiz roque
1979, Cachoeira do Sul, Brasil
Vive e trabalha em São Paulo.

Luiz Roque é um artista visual que trabalha com fotografia, escultura, filme e vídeo. Exposições recentes incluem “Amor e Ódio à Lygia Clark” (Zacheta National Gallery of Art, Varsóvia, 2013), 9a. Bienal do Mercosul (Porto Alegre, 2013), “Medos Modernos” (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2014), “The Brancusi Effect”, (Kunsthalle, Viena, 2014), “Canto Escuro” (Museu do Trabalho, Porto Alegre, 2014), “MODERN” (White Cubicle, Londres, 2015), “The Violet Crab“,(David Roberts Art Foundation, Londres, 2015) e “A Mão Negativa” (EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, 2015). Em 2014 organizou “EXPO” para a Bolsa de Arte (São Paulo), uma exposição coletiva com foco em escultura que apresentou trabalhos de Erika Verzutti e Saint Clair Cemin, entre outros.

 

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