GLORY HOLE

CURADORIA GISELA DOMSCHKE

11 de agosto – 10 de outubro de 2015

 

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BELEZA AINDA VITAL

Banida pelas pretensões do modernismo, a beleza ainda nos assalta em nossos dias. Aqui a resgatamos não enquanto uma qualidade, mas como uma imposição. “As coisas são seus próprios planetas, e têm sua própria geologia”, diz Lars Spuybroek. Pequenas, grandes, etéreas, efêmeras, naturais ou artificiais, as coisas não são apenas percebidas, mas vividas em sua atmosfera. Elas irradiam campos afetivos. Esses encontros estéticos acontecem num mundo que resiste à ideia de ser cristalizado em formas fixas, num mundo cuja maior vocação é seu avesso.

Esta sequência de mostras para o Glory Hole foi pensada a partir dessa proposição da beleza como atração, misto de humilhação e exaltação, temor e prazer, uma experiência transformadora e primordial na vida de todos nós.

 

Camila Sposati, Darvaza, 2012 / vídeo / 6’ 36’’

 

Uma coisa depende de seu núcleo para mudar, transformar, criar beleza. Ao caminhar lentamente entorno dessa geologia, a artista instaura um estado de suspensão, performa uma acão cênica, enfrentando o sublime. Indiferente aos riscos, faz colidir esses dois núcleos tão diferentes na forma, mas com a mesma dinâmica poética e transformadora. Pode-se pensar em entranhas, em coragem, em temeridade, mas há algo curiosamente plácido em enfrentar um colosso pelo simples desejo de caminhar até ele. As coisas encontram a lava em seu interior.

 

In October 2011, the artist spent 25 days in Darvaza, supported by the Montehermoso Art and Research, Spain. Researching sites in Turkmenistan desert and cities in Uzbekistan – ‘Silk Road’, she developed her project “Charting revolution, transecting the symbolic roots of the Earth”.

 

Gisela Domschke é curadora independente, nascida em São Paulo. Estudou Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), na Sorbonne e no Collège Internationale de Philosophie, Paris. Possui o título de Master of Arts em Design de Comunicação pelo Central Saint Martins College of Arts, Londres. Ex-professora e orientadora do MA Mídias Interativas na Goldsmiths University, Londres. Seus trabalhos autorais foram expostos na Whitney Biennial (NY), Stedelijk Museum (Amsterdam), ICA (Londres), Johnson Museum of Art (Ithaca), Centre d’ Art Contemporain (Geneve) e na Bienal de São Paulo. Atualmente desenvolve projetos de curadoria através de freqüentes colaborações com instituições internacionais como British Council, AHRC, Mondriaan Foundation, Virtueel Platform, FutureEverything, Prince Claus Foundation, como: 2012 ZERO1, Bienal de Arte e Tecnologia, San Jose, CA e IV Mostra 3M de Arte Digital, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2013. É co-idealizadora e diretora artística do projeto Labmóvel (menção honrosa no Prix Ars Electronica 2013, Linz, Áustria).

 

 

 

 

 

Raree Show 4: O Estúdio

4 de julho — 1 de agosto

 

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O Estúdio

Curadoria de Bruno Mendoça

O Estúdio

A proposta para a quarta e última edição do programa de exposições “Raree Show” que ocupou o espaço glory hole da Galeria Jaqueline Martins durante o primeiro semestre de 2015, foi de transformar metaforicamente o espaço em uma espécie de “estúdio”.

A palavra “estúdio” – deriva etimologicamente do latim “studere” que pode ser traduzido como “a ânsia de conseguir algo”.

O livro organizado em 2012, pelo curador, crítico de arte e pesquisador Jens Hoffmann intitulado “The Studio” [i] pela série Whitechapel: Documents Of Contemporary Art editada pela The MIT Press foi utilizado como ponto de partida para esta proposta.

Neste livro, Hoffmann parte da reflexão sobre o “estúdio” como um espaço para se analisar as transformações na produção de arte a partir dos anos 60, ou seja, a transição do espaço do estúdio (pensado em sua fisicalidade para a produção artística) para um espaço outro com potencial para múltiplas formas de criação e participação.

Ao longo da história o ateliê – ambiente conhecido para a produção de “arte” – foi sendo atualizado e a imagem do “estúdio” se tornou cada vez mais presente. Podemos observar essa transição durante a primeira vanguarda e principalmente com artistas da chamada segunda vanguarda[ii] que vão trazer um novo olhar para esse espaço destinado à produção de arte, expandindo-o. Qualquer espaço se torna lugar para a produção artística a partir da metade do século XX – desmistificando e retirando a aura e o romantismo destes ambientes. Alguns artistas adentram os estúdios de música e as ilhas de edição, enquanto outros farão dos nightclubs e da rua seus locais de trabalho. Os registros de Andy Warhol na Factory, assim como os vídeos de Bruce Nauman em seu estúdio revelam essas transformações, apenas para citar alguns exemplos. Warhol e Nauman, por exemplo, como colocado por Hoffmann, criaram estratégias críticas a partir do uso do estúdio, o utilizando como ponto de partida para seus trabalhos.

A partir dessas reflexões e da proposta de ocupar o espaço glory hole como um “estúdio temporário”, convidei artistas que venho pesquisando nos últimos anos e que apresentam uma produção totalmente conectada a essas questões e de forma ainda mais complexa – pois se trata de uma geração inserida em uma realidade em que a virtualidade e a digitalidade fazem parte desse processo. Estes artistas estão inseridos no que Hoffmann pontua como “post-studio practices” ou “práticas pós-estúdio”, muito relacionada a https://www.viagrasansordonnancefr.com/viagra-prix/ uma geração fortemente influenciada pelas mudanças que aconteceram no campo da arte a partir dos anos 60, e pelo advento da internet, a partir dos anos 80. Estes artistas já produzem a partir de uma nova concepção de estúdio, em que se perde a noção de fisicalidade, o estúdio para essa geração passa a ser um ambiente móvel, flexível e portátil, além de um espaço de multiplicidade de operações e interações.

Difícil de ser classificada e categorizada a produção desses artistas é multifacetada, relacionando-se com outras https://www.acheterviagrafr24.com/viagra-pour-homme/ áreas como a música, por exemplo. A relação desses artistas com o campo da música de uma forma geral também se colocou como um vértice para a curadoria, pois se o estúdio para as artes visuais sofreu transformações ao longo das décadas, o mesmo aconteceu com o campo da música que partilha da mesma palavra para designar esse espaço de criação e produção. Neste sentido a década de 60 se coloca como um marco, pois é quando efetivamente as artes visuais e a música se se conectam, se hibridizam e expandem, apresentando produções que complexificam o espaço do estúdio tanto nas áreas da música quanto das artes visuais – mesmo após as primeiras experimentações realizadas durante os movimentos de vanguarda do início do século XX. Artistas como Laurie Anderson, Yoko Ono, Vito Acconci, Brian Eno, entre outros, são exemplos desse movimento.

Neste sentido, o espaço glory hole nesta última edição do programa de exposições “Raree Show”, foi pensado como um “não-lugar”, que quando ocupado se tornasse uma zona de experimentação e performatividade, através da produção multimídia desses artistas.

 

 

 

 

Raree Show 3: Keila Alaver | A caixa marravilhosa

28 maio — 27 junho

 

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Curadoria de Bruno Mendoça

Dando continuidade à programação do espaço glory hole, o pesquisador Bruno Mendonça convida para a terceira ocupação a artista Keila Alaver, que apresenta projeto inédito a partir de 27 de maio, das 18h às 22h.

Partindo da aproximação com o termo Raree Show ou “Espetáculo Raro”, a artista Keila Alaver apresenta a instalação “A Caixa Maravilhosa” que se coloca como um desdobramento de alguns trabalhos realizados pela artista na qual cria instalações que ficam no limite entre o décor e a ambiência.

Tomando como input o termo sanduk al-ajayib (“A Caixa Maravilhosa”) – forma como era chamado o entretimento “Raree Show” na Síria Otomana, a artista Keila Alaver realizará uma instalação na qual criará um ambiente enigmático, bizarro e surreal. Este ambiente pode ser pensado como um Gabinete de Curiosidades que popularmente e de forma muito interessante eram chamados de “Os Quartos das Maravilhas” entre os séculos XVI e XVII.

Nestes ambientes coleções de diferentes naturezas eram apresentadas, mas as mais conhecidas eram separadas em quatro eixos: artificialia, onde eram agrupados objetos criados ou modificados pela mão humana ( antiguidades, obras de arte, etc.); naturalia, onde eram agrupados as criaturas e objetos naturais; exotica, onde eram agrupados plantas e animais exóticos ; scientifica, onde eram agrupados os instrumentos científicos. A artista parte então dessas questões históricas para a criação desse ambiente na qual misturará obras, elementos e técnicas de trabalhos anteriores como “A Loja” realizada na Galeria Luisa Strina em 2006, “Corpo Mobília” de 2013, “Jardim Pele de Pêssego” de 2009, “Floresta Banheiro” realizada na Galeria Vermelho em 2007, entre outros.

 

 

 

 

RAREE SHOW 2: Cristiano Lenhardt

 

01 abril — 16 maio 

 

 Super Quadra Saci - still - Cristiano Lenhardt

 

 

Curadoria de Bruno Mendoça

 

 

 “Cristiano Lenhardt habita uma casa fora do mundo, onde o seu limite precio viagra generico não é aquele da linguagem”, é assim que o artista Michel Zózimo apresenta Cristiano em seu livro “Assim que for editado, lhe envio”. Tomei a liberdade de me apropriar dessa apresentação, pois ela é realmente pontual.

Ao ler o comentário feito por Zózimo a respeito do artista logo me veio à cabeça alguns conceitos que para mim nunca se esgotam, e que acho que podem promover relações interessantes à produção do artista como um todo, mas também ao trabalho apresentado no contexto dessa exposição.

O primeiro conceito seria o de uma “incerteza lúcida” como propõe o antropólogo James Clifford em diversos textos. O outro é uma espécie de “laboratório de dúvidas” como utilizado pelo artista Carsten Höller como metodologia de trabalho. Gosto de pensar nesses conceitos para o trabalho de Cristiano Lenhardt.

De alguma forma também me recordo de um comentário feito pelo artista Cerith Wyn Evans em uma de suas entrevistas. Evans aponta de forma poética através de uma metáfora de que para ele a arte é como se você por acidente tivesse aberto uma porta errada em um espaço, ou talvez a porta certa, mas que talvez a porta errada seja mais apropriada afinal, a porta errada sugere um encontro com alguma coisa que você não espera, e nessa espécie de choque você se sente como um surdo encarando um rádio. É dessa forma que me senti todas as vezes que entrei em contato com o trabalho de Cristiano Lenhardt, e isso na verdade foi maravilhoso. É como se o trabalho de Cristiano fosse um grande “mix de peças erradas”, aí reside sua potência. E é essa a política para além da política presente em seu trabalho.

Atuar na potência da dúvida, esquecer vírgulas como também coloca Michel Zózimo quando se refere ao artista, isso sim pode ser de fato subversivo, uma poderosa forma de agressão.

A meu ver essas questões aparecem no trabalho de Cristiano não apenas como um input conceitual, ou como algo processual e subjetivo, mas são tomadas de forma prática no sentido de que o artista potencializa e materializa isso através de seus trabalhos – dando forma.

Em “Meu Mundo Jegue”, obra apresentada na exposição Raree Show 2 no espaço glory hole, Cristiano apresenta uma parte de sua pesquisa recente. O trabalho é parte de uma série que compõe o processo de pesquisa para o filme “Super-Quadra Saci”, a ser realizado em breve. Como o próprio artista coloca, ”Meu Mundo Jegue” é uma espécie de “argumento” para o filme. Essa espécie de desdobramento que os trabalhos vão assumindo em sua produção também é muito interessante. O artista cria uma complexa rede que dificulta qualquer análise de forma estanque.

Nesta pesquisa Cristiano se debruça mais uma vez sobre um Brasil profundo. De forma melancólica e bem-humorada o trabalho é um comentário importante sobre o ontem, o hoje e o amanhã, mas principalmente após os acontecimentos de 15 de março de 2015, não consigo deixar de ver “Meu Mundo Jegue” como uma espécie de manifesto.

O artista diz: “Sobretudo o amor, a pobreza indígena maior riqueza da alma. Ruas sem asfalto, árvores e mais árvores ao ponto de voltar a ser mato. Prefiro ser picado por uma cobra, comido por uma onça do que sentir preconceito ou abuso de poder. […] O ideal de um Brasil moderno é emparedado aos mitos, lendas e costumes populares. O ideal de representação se mistura a um cerimonial capenga. E as revoadas políticas são tomadas como coreografias graciosas”.

“Meu Mundo Jegue” invade o buraco da glória e apresenta um espetáculo raro. Com Cristiano as palavras realmente ficam melhores no bom português, afinal ele nasceu em Itaara, eu na Rua Iperoig e você provavelmente em Itaúna. Lenhardt se torna Lenha e ele sabe bem, pois ele mesmo diz que “toda a parte de trás da gente é um mundo preto, limpinho”.

Deixo-lhe então com um convite https://www.acheterviagrafr24.com/viagra-pas-cher/ – me apropriando mais uma vez das palavras do artista Cerith Wyn Evans: “Venha, entre na arena de contradições onde prazer e realidade se abraçam…”

 

Bruno Mendonça

 

 

RAREE SHOW 1: TETINE

 

10 fevereiro — 21 março 

 

 

 Tetine

 

Curadoria de Bruno Mendoça

 

Para a primeira ocupação do espaço glory hole o pesquisador Bruno Mendonça convida a dupla de artistas brasileiros radicados em Londres – Tetine – formada por Bruno Verner e Eliete Mejorado. Com uma produção multimídia, a dupla apresenta um vocabulário híbrido e transdisciplinar cruzando linguagens e fronteiras entre os universos da música, da performance, da videoarte e do texto.

Raree Show (“Espetáculo Raro”) remonta a um tipo de entretenimento de tempos antigos (século XV na Europa, por Leon Battista Alberti) e são conhecidos em várias culturas. Um raree show poderia ser uma caixa de madeira com um buraco ou vários buracos. O interior das caixas era decorado frequentemente para se parecer com cenas teatrais. O espetáculo era acompanhado por uma recitação dramatizada, explicando o que estava acontecendo em seu interior. Na Síria Otomana a chamavam de sanduk al-ajayib (“A Caixa Maravilhosa”) que narrava histórias relacionadas com a religião e suas crenças. Na modernidade os raree shows ou peep-shows passaram a ser utilizados para apresentações de imagens eróticas e pornográficas, desde antes da virada do século XX. Em seu uso contemporâneo, um raree-show é uma apresentação por partes de filmes pornográficos ou um show de sexo ao vivo, que é visto através de um slot de visualização, que se fecha após um curto período de tempo.

Em Raree Show: 1 a dupla apresenta uma instalação composta por sketches de spoken word e experimentações sonoras que compõem uma narrativa que transita entre os campos da poesia, da literatura, do teatro, do cinema e da novela. As peças sonoras são como capítulos ou atos desta narrativa. O trabalho pode ser pensado de forma expandida como um livro, um filme ou uma peça de teatro. 

A programação do espaço glory hole continua ao longo do primeiro semestre de 2015 com curadoria de Bruno Mendonça e terá como convidados artistas como Cristiano Lenhardt e Annika Larsson, entre outros.

 

Tetine 53 Diamantes a collection of black stories, crimes, falsos-brilhantes & other poems (trecho) 2015 

 

Tetine é formado por Bruno Verner e Eliete Mejorado. O duo se conheceu em 1995 em São Paulo e desde então vem produzido uma vasta obra experimental trafegando pelos universos da cultura pop e das artes – produzindo trabalhos de caráter quase sempre híbridos (performances, instalações, filmes, vídeos, arte sonora, etc). 

O primeiro trabalho da dupla foi a performance Alexander´s Grave que integrava música eletrônica atonal e filmes em super 8 à narrativas e colagens textuais. Este trabalho foi apresentado no Espaço Unibanco em Belo Horizonte. Um disco com a trilha original da performance foi lançado pelo próprio selo dos artistas – High School Records. Dois anos mais tarde, a dupla lançava seu segundo trabalho, Creme, uma colaboração audiovisual com o grupo de dança UR=HOR de Adriana Banana, ex Cia de Dança Burra. O espetáculo foi apresentado no SESC São Paulo. Em 1999, criam a performance Música de Amor, apresentada no 12° Festival Videobrasil e lançam o álbum homônimo também pelo selo High School Records.

No ano seguinte, Bruno Verner e Eliete Mejorado se mudam para Inglaterra e estabelecem-se em Londres, primeiramente como artistas em residência na Queen Mary University. Em Londres começam a produzir uma série de novas performances, vídeos e projetos apresentando-se em diversos espaços culturais.

 

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Em 2002 lançam pelo selo Sulphur Records o disco Tetine vs. Sophie Calle – Samba de Monalisa, uma colaboração em áudio com a artista francesa Sophie Calle, tendo sua estreia na Whitechapel Gallery e apresentam também por 4 anos o programa de rádio Slum Dunk na radio-art inglesa “Resonance FM” . Recentemente lançaram o álbum In Loveland With You com participação do artista Arnaldo Batista.

Com vários álbuns lançados por diferentes selos entre o Brasil e a Europa, além de uma vasta obra audiovisual, o Tetine tem apresentado seu trabalho em diversas exposições, festivais e eventos ao redor do mundo, em espaços tais como The Barbican Centre, Tate Modern, Queen Elizabeth Hall e Gasworks Gallery em Londres; Bienal de Liverpool; Goethe Institute de Munique; Festival Resfest; Galeria Vermelho, Itaú Cultural, SESC e Instituto Tomie Ohtake em São Paulo; na antiga Fundição Progresso (ao lado do grupo Chelpa Ferro) e Oi Futuro na cidade do Rio de Janeiro; 3a Bienal da Bahia; Museo Tamayo de Arte Contemporânea, Cidade do México; Museu Serra Alves e Casa da Música na cidade do Porto e Galeria Zé dos Bois em Lisboa; Centre D’art Contemporain de Basse-Normandie; Palais de Tokyo, Paris; Frankfurter Kunstverein, Frankfurt; Manifesta 7 em Trentino/Alto Adige; Trienal de Milão, Stenersenmuseet e Museum for Samtidskunst / Nasjonalmuseet em Oslo, AGORA – Bordeaux Bienalle; Kunsthalle Zurich, entre outros.

 

53 DIAMANTES A COLLECTION OF BLACK STORIES, CRIMES, FALSOS-BRILHANTES & OTHER POEMS BY TETINE (BRUNO VERNER & ELIETE MEJORADO).PDF

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