Stuart Brisley

02 de Setembro — 22 de Outubro de 2016


Em seus Cadernos do cárcere, Antonio Gramsci escreveu: “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”. A análise de Gramsci representa uma condição dos tempos bicudos, uma proposta atual. É sobre o momento atual, o presente. O momento da performance, da situação atual, e dos próprios participantes.

É isso o que é uma performance: uma proposta atual no futuro-presente, um presente que está contido entre um futuro antecipado e uma memória passada.

Há uma expressão idiomática em inglês: o elefante na sala. Significa um assunto relevante e óbvio, visível a todos, mas sobre o qual ninguém fala. Assim como o interregno, o elefante na sala descreve uma outra faceta da suspensão, um estado incompleto do que, em uma obra anterior, eu chamo de Nul Comma Nul (NuloVírgulaNulo). Em outras palavras 0,0 é igual a nada.

Dos anos 1970 em diante, eu explorei a ideia de intersecção, lacuna, brecha, fratura, fenda, fresta na performance, na instalação, na escultura, assim como em filmes, pinturas, desenhos e áudios.

Parece-me que o capitalismo é uma brecha, ainda que seja uma forçada e duradoura separação de seres humanos na busca por uma existência digna.

Stuart Brisley

 

_18A3766

 

_18A3767

 

_18A3771

 

_18A3769


 

Share on FacebookTweet about this on TwitterGoogle+Pin on Pinterest