O Corpo Expandido

27 agosto – 30 setembro

 

Texto de Giorgio Maffei  

 

Dennis Oppenheim Rocked Circle 1971

Dennis Oppenheim Rocked Circle 1971

 

Instruções para uso

(de Fregoli a Beuys)

 

A performance é a forma artística na qual a ação de um indivíduo ou de um grupo, num lugar próprio e num momento específico, constitui a obra. Pode acontecer em qualquer âmbito e em qualquer momento e por uma indeterminada duração de tempo. Um modo para definir seu sentido é afirmar que a performance pode ser qualquer situação que envolva quatro elementos basilares: o tempo, o espaço, o corpo do artista e a relação entre artista e público – em contraposição à pintura e escultura, onde a obra é um objeto.

As origens da performance, como expressividade relacionada à arte figurativa, devem ser buscadas nas vanguardas do início dos Novecentos. Dadaístas, Futuristas e Surrealistas pintam, compõem e escrevem, mas também teatralizam os comportamentos artísticos. Marinetti declama, Cangiullo estende palavras em liberdade, Mayakovsky estapeia o público, Dalí é extravagante, Duchamp se traveste. Mais tarde pintores como Pollock, Mathieu, Fontana ou Gallizio, que ainda usam a cor em suas telas, transformam a pincelada em gesto carregado de potência expressiva. 

Dos anos Sessenta em diante a tendência se fortalece na crescente convicção da indissolubilidade do nexo entre Arte e Vida. A influência de John Cage e mais tarde de seu aluno Allan Kaprow, além de Robert Rauchenberg, junto à desarticulação do espaço artístico promovido pelo grupo japonês Gutai, traça o percurso de uma atividade que condiciona os vinte anos sucessivos.

Escreve Kaprow: “A linha entre arte e vida tem que permanecer fluida e o menos perceptível possível. O momento da performance é um momento forte, sagrado, mítico durante o qual a nossa percepção, o nosso comportamento e até mesmo a nossa identidade acabam modificadas”.

16. Klein

Yves Klein Anthropométrie de l’Époque bleue 1960

É neste contexto que atua Yves Klein ao rodopiar corpos nus impregnados de tinta azul ou reger uma orquestra muda ou ainda ao se jogar de uma janela para realizar um salto no vazio em uma rua em Paris.

Em resposta Piero Manzoni assina modelos nus e eleva o homem qualquer, em pé num pedestal, à categoria de obra de arte.

O processo de “desmaterialização do objeto de arte” começou.

Nestes anos e destas premissas se reforça o costume de usar a fotografia – realizada por profissionais da imagem, mas dirigida pelos artistas – como meio expressivo peculiar para a transmissão e conservação das obras.

As imagens fotográficas retêm memórias, conservam rastros e contemporaneamente transcrevem com meios diversos outras imagens, palavras e os significados de uma modalidade de realizar arte que marcou profundamente o desenvolvimento da história da segunda metade dos Novecentos.

Esta mostra tenta, portanto, deter o tempo e busca contar, com uma seleção de fotografias originais, as ações capazes de dar forma e duração ao evento performático.

A mostra provoca e solicita o visitante a ultrapassar um determinado hábito de olhar em favor de uma participação mais ativa, e sugere perceptivamente um significado de compartilhamento em relação ao conteúdo do material em mostra.

 

Giorgio Maffei

 

64. Kounellis

Jannis Kounellis Motivo Africano 1970

90. Chia

Sandro Chia Il Tempo mi Consuma, lo Spazio è mio Amico 1975

102. Franz Erhard

Franz Erhard Walther Dichtigkeit und Ambivalenz 1967

Charlotte Moorman_Concerto for TV Cello_Koln,1974_Projekt 74_Giorgio Colombo

Nam June Paik e Charlotte Moorman Concerto for TV Cello 1974

120. Beuys

Joseph Beuys Registro da Instalação 1980

Vito Acconci   Kassel 1972 Elena Vitale

Vito Acconci Kassel 1972

 

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