Hudinilson Jr — Posição Amorosa

25 março — 10 maio

 

 

Curadoria de Marcio Harum 

  

Havíamos decidido os três, Hudinilson, Jaqueline Martins e eu, que desenharíamos juntos esta exposição. Por agora, não nos resta hesitação alguma ao assumir que POSIÇÃO AMOROSA teria sido explicitamente realizada sob a emoção da carne, se conduzida pelo diálogo em direto e vivo contato com o artista. Seguramente, teríamos discutido ardentemente acerca dos modos de exibição, tanto em relação a proposição de obras, quanto a seleção de objetos e documentos que compõem o corpo da mostra.

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Sem título S/d

Ao reunir ineditamente um forte conjunto de trabalhos de caráter essencial para a compreensão da obra do artista, a exposição POSIÇÃO AMOROSA, que possui título inspirado em um de seus projetos de 1984, rende homenagem a Hudinilson Jr., traçando um pulsante panorama de sua trajetória artística desde o início, em meados dos anos 1970. Além da tamanha profusão de materiais e suportes encontrados nos trabalhos do artista (falecido em agosto de 2013) – vários deles jamais vistos em público anteriormente e incluídos nesta mostra, incorpora-se a eles com protagonismo de presença a manipulação compulsiva e a visualização homoerótica da (auto)imagem do corpo masculino nu como prática constante. Sob perspectiva histórica, são apresentados em POSIÇÃO AMOROSA inúmeras colagens-objeto, volumes no formato “cadernos de referência”, diversas peças escultóricas têxteis, desenhos, projetos, ações de mail art (arte correio), fotografias, serigrafias, graffiti e xerografias.Tenha sido por irresponsabilidade, pela falta de entendimento, coragem ou vontade de colaborar, a negligência perpetrada por parte da crítica contra a produção do artista é um tema incontornável. 

 Se por um lado Hudinilson Jr. se comprometeu em vida a proteger seu labor das garras de harpia que o mercado de arte a ele representava, de outro, fugia de negociações institucionais que soavam como equivocadamente escusas, a ele ou a qualquer outro artista, tais como quando se via obrigado a lidar com situações a respeito de forçosas doações. Entre dores e perdas, não abria concessões. E sua ética de artista, não era conciliadora em absoluto. Esperou por convites de curadores e diretores de museus, que jamais lhe fizeram chegar. Ansiou por respostas, ou ao menos atitudes supostamente baseadas na política de aquisição em prol de coleções públicas, que nunca lhe foram dadas. Não é à toa que seu posicionamento incapturável seja a hipótese do despertar de apreciação tão repentina, e da recente valorização de suas peças em nome do desejo de renomadas coleções públicas e particulares, do país e exterior. Em tempos de especulação, a propósito da guarda de seu acervo, é importante ressaltar que o esforço da tentativa será o de preservar ao máximo tal conduta artística como legado.

 

Marcio Harum é curador de artes visuais do Centro Cultural São Paulo.

 

 

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