Dudu Santos — Livro de Assinaturas

27 novembro — 25 janeiro

 

 

Texto de Antonio Penteado Mendonça

 

Uma longa noite de 1963

1963 poderia ser apenas mais um ano, um número perdido numa folhinha desenvolvida muito tempo atrás, com base no nascimento do Cristo. Ou o ano em quem mataram um presidente. Ou, dentro da relatividade do tempo, apenas uma noite mágica, eternizada através dos séculos na imagem lúdica da estrela que levou três reis magos saídos dos confins da terra até uma manjedoura, perdida nos subúrbios de Belém.

Histórias, ou história, como um livro de assinaturas que perpetua o ano de 1963, porque o que importa para nossa história não é o grande, nem o importante, mas os fatos pequenos que fazem da vida do homem uma enorme aventura.

1963 não foi um ano comum. Não é todo ano que matam o presidente dos Estados Unidos. No dia 22 de novembro de 1963 o presidente Kennedy foi assassinado. O mundo chorou, estarrecido com a brutalidade do crime e com a falta de sentido de se tirar a vida de um homem que lutava pela dignidade de outros homens. 

Na mesma hora em que os tiros disparados de uma janela em Dallas atingiam a cabeça do presidente, um telefone de manivela tocava numa fazenda no interior de São Paulo. Ou não.

Não há relação entre a telefonia brasileira, o preço do café e a morte de um presidente estrangeiro. Nem há relação entre os cometas que conduzem os magos e o nascimento dos deuses. Mas tudo é parte do mesmo contexto, plasmado na superfície de um planeta pequeno, girando em volta de uma estrela de quinta grandeza, nos confins de uma galáxia que se expande.

Assim também é com este Livro de Assinaturas, capturando retratos nos nomes riscados nas folhas abertas, rapidamente preenchidas na noite de uma vernissage importante, numa cidade que crescia vertiginosamente, escondida nos confins de um país chamado Brasil.

Que nação é essa, que se estende por mais de meio continente, sem comunicação por terra entre o sul e o norte? Que noite é esta em que a exposição de um pintor em começo de carreira atrai com seu talento nomes de peso como a luz dos lampiões que queimam as mariposas?

Que mundo é este que mistura no dia a dia de sua longa história o belo e feio, como a água do mar carregada de sal?

Era assim quando a grande pirâmide foi construída. A estátua de Palas Atena, no alto do Capitólio, viu a mesma rotina na grandeza e na decadência de Atenas. Nada de novo sob os olhos do Infante D. Henrique arrancando os confins da terra do fundo dos oceanos. Nem na visão dos astronautas da Apolo 11 reentrando na atmosfera da Terra.

 

Leia o texto na íntegra aqui: 

Dudu Santos — Livro de Assinaturas.PDF 

 

 

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Sem título 2009

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