The Caretaker

Steve Bishop

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The Caretaker

Steve Bishop

  • Período
  • 01.02 — 07.03.2020

  • Abertura
  • 01.02 — 12hrs

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A cidade foi construída para abrigar os operários de uma mina que foi desativada dois anos depois. No vídeo, a câmera passeia por ruas e corredores vazios, e por salas de estar que mostram o conforto da vida suburbana. Como você interpreta essas imagens? 


Quanto à cidade, o que pensei foi que não havia nada parecido. Claro que lugares e edificações abandonadas são atraentes—cidades fantasmas são fascinantes—, mas geralmente estão desertas e destruídas, logo são quase sempre vistas como locais “mortos”. Esta cidade, no entanto, era moderna e estava intacta; não havia quase nada fora do lugar. O lugar tinha vida. E não se tinha a sensação de que as pessoas tinham simplesmente ido embora um dia, porque não havia objetos pessoais, só alguns vestígios. Isso foi o que mais me impressionou: o vazio em termos de presença humana. A cidade parecia uma lembrança pela metade. E embora não houvesse ninguém ali, a cidade não estava “morta”. 


Quando me falou sobre a cidade pela primeira vez, você mencionou que nasceu no ano em que ela foi abandonada. Você pareceu sugerir uma relação entre a estética e o estilo de vida da cidade e o modo como você foi criado. De fato, você frequentemente se interessa por uma espécie de vazio que transmite uma sensibilidade muito específica que parece familiar, com cheiro de aglomerado e verniz de madeira—uma forma de experiência (seja em primeira ou segunda mão) que adentrou a consciência coletiva com o advento da produção em massa e do estilo pessoal, tanto genérico quanto específico. Como você equilibra o geral e o pessoal em seu trabalho?


Me interessei pela cidade porque seu vazio me deu a sensação de que esta poderia ser qualquer cidade, ou uma representação da sociedade contemporânea, em termos relativos. Essa ubiquidade do espaço pessoal me atrai, mas a sensação de fazer o vídeo sobre a cidade foi muito pessoal. Por exemplo, em uma das casas que filmei havia cadeiras de jantar, projetadas na década de 1930 por Marcel Breuer, idênticas às que eu comprara uma semana antes. Comprei as cadeiras porque gostava delas, mas também porque sabia que meus pais as tinham na casa em que cresci, numa época em que elas também eram muito populares. Foi uma sensação bem estranha. É interessante observar que, como seu design nunca foi patenteado, essas cadeiras geralmente não são nem cópias, nem originais, e é um tanto contraditório pensar nelas em termos de forma genérica versus conexão pessoal. Acho que é assim que eu equilibro essas sensações: você precisa dos dois lados para enxergar um ou o outro. Em termos mais amplos, com relação à cidade ou à estética interior em branco que permeia meu trabalho, o espaço só está em branco até você enxergar um resquício de alguma coisa. Essa estética enfatiza tanto o vazio quanto a pessoa que o habita. A cidade foi concluída em 1981 e todos os seus habitantes foram embora em 1983, então sua estética e conteúdo apontam para um período muito específico. Eu nasci em 1983, e é estranho pensar que a cidade está vazia e esperando desde que me entendo por gente. A cidade, do modo como a retratei, está bem viva, porém ela não existe mais em função das pessoas. O mofo e o musgo crescem e tomam as entradas das garagens, os pássaros e os animais que ali vivem, a eletricidade flui pelas veias da cidade e as construções são mantidas aquecidas.


Você se refere à cidade como se, de certa forma, ela estivesse “viva”, embora tenha sido praticamente abandonada pelos humanos. Me pergunto onde você localiza essa vida que persiste.


A cidade está cheia de vida: pássaros, raposas, ursos, musgo crescendo nos telhados, grama crescendo, o vento e o som daquela vastidão eram impressionantes, e com as sensações físicas de ouvir a eletricidade e a calefação em funcionamento, havia muita energia ali. Dava a impressão de uma cidade relaxada, quase satisfeita. As coisas cediam, dava para ver a madeira sucumbindo ao tempo, dava para ver a natureza e tudo o que literalmente estava vivo dentro da cidade e ao redor dela. Ela só não vivia em função das pessoas. As pessoas fazem caminhadas ou acampam para buscar esse tipo de experiência de estar sozinho com a natureza, mas é raro ver ou sentir isso dentro de uma cidade, e é por isso que a experiência foi impactante. Ao ver esse microcosmo da sociedade sucumbir lentamente à entropia, apesar dos esforços cuidadosos para evitar que isso aconteça, percebemos como somos vulneráveis. Nesse sentido, a cidade evocou em mim uma sensação de espiritualidade. Não em termos de espírito humano, dos espíritos de pessoas ausentes, mas em termos de estar consciente de seu próprio ser. Tive muita consciência da minha insignificância naquele lugar. Mas há uma vulnerabilidade em ambas as realidades porque, apesar da troca constante de zeladores, a cidade não vai durar para sempre. Algumas construções já se foram, pegaram fogo ou foram tomadas pelo mofo. Eu estruturei o vídeo de modo a sutilmente mostrar as coisas se deteriorando com o tempo. À medida que o vídeo avança, você vê mais musgo nas entradas das garagens e nos telhados e as construções ficam mais vazias. 


A busca pela vida em objetos e lugares na ausência de seres humanos é um aspecto central de seu trabalho. Como você procura lidar com esse fenômeno em seu trabalho?


Acho que há uma dualidade em algo que está ligado a uma pessoa, mas essa pessoa está ausente. Eu evito usar figuras específicas em meu trabalho porque, assim, o espectador pode adentrá-lo. Acho que quase todos os meus trabalhos são, no fundo, existenciais, o que pode parecer uma grande generalização, mas acho que essa é a origem de muitas ideias, isso se expressa nesse binarismo entre presença e não-presença. 


Objetos e filmagens encontradas aparecem com frequência em seu trabalho, em alguns casos reproduzidos em fac-símile. O que o atrai nesses elementos encontrados, e como eles ressoam com os elementos feitos/produzidos?


O que me atrai em filmagens encontradas é o que me atrai em objetos encontrados, ou simplesmente em coisas preexistentes. Em primeiro lugar porque minhas ideias se formam ao ver o objeto ou o vídeo, e em seguida elas se relacionam à utilização da coisa. O vídeo que mostra a cidade é meu primeiro vídeo inteiramente composto de imagens que eu mesmo registrei, e embora o vídeo seja “feito”, eu vejo a cidade como uma coisa “encontrada” ou preexistente nessa equação. O vídeo também é bem parecido com um trabalho mais antigo, Meanwhile... de 2008, que é uma compilação de planos gerais tirados de séries de comédia, mostrados em sequência, e uma série de panorâmicas lentas de prédios em Nova York. Não havia qualquer explicação para as locações, mas uma panorâmica que termina na janela de um apartamento, por exemplo, sugere a importância do lugar e o que pode ter acontecido no passado. 



Entrevista conduzida por Anna Gritz, curadora do KW Institute for Contemporary Art, Berlim.

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Condo São Paulo 2020

COLETIVA

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Condo São Paulo 2020

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  • 01.02 — 07.03.2020

  • Abertura
  • 01.02 — 12hrs.

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Condo é uma exposição colaborativa de larga escala entre galerias internacionais. Edições passadas já ocorreram em Londres, Nova York, Shangai, Cidade do México e Atenas. As galerias anfitriãs compartilham seus espaços com as galerias visitantes - seja co-curando uma exposição ou dividindo e alocando seus espaços. A iniciativa incentiva o debate e reavaliação dos modelos expositivos existentes, reunindo recursos e agindo em conjunto para propor um ambiente mais propício para que galerias experimentais consigam expor internacionalmente.


Para a edição de 2020, Galeria Jaqueline Martins recebeu:


 Barbara Thumm (Berlin, apresentando a artista Anna Oppermann)

Gregor Podnar (Berlin, apresentando os artistas Marzena Nowak

PM8 (Vigo, apresentando a artista Rosalind Nashashibi)

Anat Ebgi (Los Angeles, apresentando a artista Faith Wilding) 

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