Nomadic Architecture

David Lamelas

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Nomadic Architecture

David Lamelas

  • Período
  • 08.11 — 24.01.2020

  • Abertura
  • 08.11 — 17hrs

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Seria fácil classificar David Lamelas como um artista conceitual. Flexível e nômade, seu trabalho é avesso a grandes teatralidades. Lamelas tem o mérito de jamais ter abordado sua origem “nacional”, e de crer que o conceito de identidade tem muitas camadas de conteúdo – uma crença cada vez mais sob pressão nos dias de hoje.


Sua produção artística situa-se na intersecção dos vetores de espaço e tempo. Consequentemente, sua obra é coreográfica; ela não pode ser fixada – os trabalhos de David Lamelas se posicionam no mundo de forma concreta, e as inevitáveis mudanças em sua percepção e interpretação são afetadas pelo modo como o mundo gira. Uma parede ou um canto são os mesmos hoje e/ou amanhã, porém a veracidade do tempo vivido torna-se a norma “efêmera” que confere significado ao abstrato, que por sua vez se mede em relação ao ambiente e se relaciona com ele, bem como com o eventual comprometimento do espectador com a história e o modo como é feita a arte ao longo do tempo. A arte de David Lamelas caminha aos trancos e barrancos, ao longo e através do tempo, e torna-se tempo graças a nossa capacidade de lembrar, que é, a priori, tanto subjetiva quanto seletiva. É notável como o trabalho de David Lamelas está “à frente” de seu tempo, e como ele simultaneamente observa e manipula o lugar – tempo é atividade –, já que o título de uma de suas obras condensa a ideia de que o tempo é sempre o “agora”, e portanto só pode se manifestar em memórias e num local específico, seja ele qual for. 


Folded Walls está intimamente aninhada na reflexão comum sobre arte; produzida pela primeira vez em 1994, trata-se à primeira vista de uma obra extremamente simples, que ao mesmo tempo apresenta-se (frente à história da arte mais recente) como complexa.Em 1994, David Lamelas, que então morava e trabalhava em Nova York, foi convidado a expor em Buenos Aires, a metrópole de seu país de origem. Após solicitar e receber as dimensões das paredes do espaço expositivo, Lamelas escolheu uma parede de 4,3 x 4,6 metros e, em seu ateliê, cuidadosamente e muito meticulosamente dobrou uma grande folha de papel em branco com as mesmas dimensões e a colocou dentro de uma mala, para que pudesse levá-la como bagagem e/ou despachá-la para Buenos Aires. 


Folded Walls é uma obra que funciona como autoinstrução; ao mesmo tempo, torna problemático o conceito de “in situ”, pois é concebida a partir da factualidade arquitetônica do local expositivo, sem que esteja fixa no espaço/junto à parede. Folded Walls está acomodada numa caixa de papelão e, quando colocada num espaço, como por exemplo a galeria Jan Mot em Bruxelas, torna-se como que um desdobramento do espaço físico. A caixa de transporte passa a ser uma redução, uma maquete arquitetônica. Esta parede de tensão/parede dobrada de papel branco e a caixa no chão como embalagem/arquitetura ‘em escala’ propõem um discurso acerca do lugar do artista, do lugar da arte e do lugar do ateliê do artista enquanto escritório, e não oficina. 


Folded Walls é uma obra nômade que pode ser realizada num local diferente por meio de uma simples questão curatorial. É uma obra minimalista na qual o cubo branco, enquanto espaço branco neutro ideal para a exibição da arte em si, é desvelado pelo frágil papel dobrado, num aceno crítico destinado a guiar a experiência, aliada ao mínimo de conhecimento, de volta ao centro do local expositivo, por meio de uma arte que é concreta e totalmente desprovida de ilusão.

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Luk Lambrecht - Diretor Artístico do Museumcultuur Strombeek, Gent, Bélgica.

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Comigo ninguém pode

Coletiva

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  • Para um corpo nas suas impossibilidades
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  • In Front of Light
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Comigo ninguém pode

Coletiva

  • Período
  • 21.09 — 24.01.2020

  • Abertura
  • 21.09 — 14 horas

  • Curadoria
  • Jaqueline Martins - Mirtes Marins de Oliveira - Desapê
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Comigo ninguém pode é o nome de uma série de trabalhos realizados por Regina Vater com origem em registros fotográficos e quase antropológicos que a artista realizou a partir de 1981, documentando a utilização da comigo-ninguém-pode nas entradas de residências e estabelecimentos comerciais, certamente por sua qualidade mística de neutralização do mau-olhado.

 

Planta democrática, já que sua presença superava distinções de classe, para a qual Vater elaborou uma outra camada de significados, também sobrenaturais. Assim como em religiões ocidentais ou africanas nas quais a face de Deus é velada ao fiel, a artista passou a criar instalações nas quais a força telúrica que sustenta comigo-ninguém-pode é recoberta com imagens de rostos populares. Invisível, porém potente em sua capacidade de continuar a crescer mesmo cortada ou recebendo pouca água. Insubmissa. Para a artista, metáfora do povo brasileiro, resistente à negligência e ao abandono.

 

A metáfora foi incorporada e ampliada na exposição coletiva de mesmo nome, que reúne trabalhos realizados por artistas e intelectuais mulheres. Da afirmação de uma palavra de ordem - ou de luta -  sobre a condição feminina até a invisibilidade potente que também não se deixa subordinar, as artistas presentes mostram seus entendimentos sobre a noção de feminino, caracterizado pelos atributos de delicadeza, intuição, intimidade, acolhimento, afeto, que são, em geral, apontados como oposição ao universo da racionalidade, força,organização e precisão. Em Comigo ninguém pode esses estereótipos não oferecem nenhum parâmetro, a não ser o de sua transgressão.

 

A partir de obras, textos e registros de artistas como Alison Knowles, Ana Mazzei, Charlotte Moorman, Flora Rebollo, Georgete Melhem, Isabela Capeto, Lenora de Barros, Letícia Parente, Lydia Okumura, Maria Noujaim, Marta Minujín, Martha Araújo, Regina Vater, Trisha Brown, Ubu Editora e Valentine de Saint-Point, Comigo ninguém pode apresenta em justaposição, confronto e sobreposição produções de diferentes momentos históricos e linguagens, temáticas divergentes. São produções realizadas a partir de perspectivas individuais e/ou sociais, verificando de que forma a produção de artistas dos anos 1960/1970 (e mesmo em períodos anteriores) reverbera nas práticas contemporâneas no que diz respeito às caracterizações do feminino. A mostra se caracteriza por seu caráter experimental ao ser alterada ao longo do período previsto, agregando obras e debates presenciais e colaborações curatoriais, ações entre a Galeria Jaqueline Martins, a curadora Mirtes Marins de Oliveira e o projeto itinerante Desapê, contando ainda com a parceria do Acervo Histórico Videobrasil.

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