Glory Hole - Raree Show

COLETIVA

Glory Hole - Raree Show

COLETIVA

  • Período
  • 04.07 — 01.08.2015

  • Abertura
  • 04.07 — 18 horas

  • Curadoria
  • Bruno Mendonça
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Inserido debaixo das escadas do prédio da galeria, o projeto Glory Hole apresenta escala e dimensões que fogem do padrão convencional dos espaços arquitetônicos expositivos (2,15 x 1,38 x 0,90 cm). Para a quarta edição, o pesquisador Bruno Mendonça convidou uma seleção de artistas.


Bhagavan David Barki / Bruno Palazzo / Carlos Issa / Eric Frizzo Jonsson / Fábio Tremonte / Frederico Floeter / Gustavo Riviera / Leticia Rita / Marion Velasco / Natalia Coutinho / Pontogor / Renata Roman / Ricardo Carioba / Thiago Ruiz / Traplev / Vanessa de Michelis / Walther Von Der Vogelweide



O Estúdio | texto de Bruno Mendonça

  

A proposta para a quarta edição do programa de exposições “Raree Show” que ocupou o espaço glory hole da Galeria Jaqueline Martins durante o primeiro semestre de 2015, foi de transformar metaforicamente o espaço em uma espécie de “estúdio”.


A palavra “estúdio”- deriva etimologicamente do latim “studere” que pode ser traduzido como “a ânsia de conseguir algo”.


O livro organizado em 2012, pelo curador, crítico de arte e pesquisador Jens Hoffmann intitulado “The Studio” pela série Whitechapel: Documents Of Contemporary Art editada pela The MIT Press foi utilizado como ponto de partida para esta proposta.


Neste livro, Hoffmann parte da reflexão sobre o “estúdio” como um espaço para se analisar as transformações na produção de arte a partir dos anos 60, ou seja, a transição do espaço do estúdio (pensado em sua fisicalidade para a produção artística) para um espaço outro com potencial para múltiplas formas de criação e participação.


Ao longo da história o ateliê – ambiente conhecido para a produção de “arte” - foi sendo atualizado e a imagem do “estúdio” se tornou cada vez mais presente. Podemos observar essa transição durante a primeira vanguarda e principalmente com artistas da chamada segunda vanguarda que vão trazer um novo olhar para esse espaço destinado à produção de arte,expandindo-o. Qualquer espaço se torna lugar para a produção artística a partir da metade do século XX - desmistificando e retirando a aura e o romantismo destes ambientes. Alguns artistas adentram os estúdios de música e as ilhas de edição, enquanto outros farão dos nightclubs e da rua seus locais de trabalho. Os registros de Andy Warhol na Factory, assim como os vídeos de Bruce Nauman em seu estúdio revelam essas transformações, apenas para citar alguns exemplos. Warhol e Nauman, por exemplo, como colocado por Hoffmann, criaram estratégias críticas a partir do uso do estúdio, o utilizando como ponto de partida para seus trabalhos.

 

A partir dessas reflexões e da proposta de ocupar o espaço Glory Hole como um “estúdio temporário”, convidei artistas que venho pesquisando nos últimos anos e que apresentam uma produção totalmente conectada a essas questões e de forma ainda mais complexa - pois se trata de uma geração inserida em uma realidade em que a virtualidade e a digitalidade fazem parte desse processo. Estes artistas estão inseridos no que Hoffmann pontua como “post-studio practices” ou “práticas pós-estúdio”, muito relacionada a uma geração fortemente influenciada pelas mudanças que aconteceram no campo da arte a partir dos anos 60, e pelo advento da internet, a partir dos anos 80. Estes artistas já produzem a partir de uma nova concepção de estúdio, em que se perde a noção de fisicalidade, o estúdio para essa geração passa a ser um ambiente móvel, flexível e portátil, além de um espaço de multiplicidade de operações e interações.

Difícil de ser classificada e categorizada a produção desses artistas é multifacetada, relacionando-se com outras áreas como a música, por exemplo. A relação desses artistas com o campo da música de uma forma geral também se colocou como um vértice para a curadoria, pois se o estúdio para as artes visuais sofreu transformações ao longo das décadas, o mesmo aconteceu com o campo da música que partilha da mesma palavra para designar esse espaço de criação e produção. Neste sentido a década de 60 se coloca como um marco, pois é quando efetivamente as artes visuais e a música se se conectam, se hibridizam e expandem, apresentando produções que complexificam o espaço do estúdio tanto nas áreas da música quanto das artes visuais - mesmo após as primeiras experimentações realizadas durante os movimentos de vanguarda do início do século XX. Artistas como Laurie Anderson, Yoko Ono, Vito Acconci, Brian Eno, entre outros, são exemplos desse movimento.


Neste sentido, o espaço Glory Hole nesta última edição do programa de exposições “Raree Show”, foi pensado como um “não-lugar”, que quando ocupado se tornasse uma zona de experimentação e performatividade, através da produção multimídia desses artistas.

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