O Corpo Expandido

COLETIVA

O Corpo Expandido

COLETIVA

  • Período
  • 27.08 — 30.09.2013

  • Abertura
  • 27.08 — 18 hrs

  • Curadoria
  • Jaqueline Martins / Rita Mourão
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Instruções para uso

texto por Giorgio Maffei


A performance é a forma artística na qual a ação de um indivíduo ou de um grupo, num lugar próprio e num momento específico, constitui a obra. Pode acontecer em qualquer âmbito e em qualquer momento e por uma indeterminada duração de tempo.


Um modo para definir seu sentido é afirmar que a performance pode ser qualquer situação que envolva quatro elementos basilares:o tempo, o espaço, o corpo do artista e a relação entre artista e público - em contraposição à pintura e escultura, onde a obra é um objeto.


As origens da performance, como expressividade relacionada à arte figurativa, devem ser buscadas nas vanguardas do início dosNovecentos. Dadaístas, Futuristas e Surrealistas pintam, compõem e escrevem, mas também teatralizam os comportamentos artísticos. Marinetti declama, Cangiullo estende palavras em liberdade, Mayakovsky estapeia o público, Dalí éextravagante, Duchamp se traveste. Mais tarde pintores como Pollock, Mathieu, Fontana ou Gallizio, que ainda usam a cor em suas telas, transformam apincelada em gesto carregado de potência expressiva.


Dos anos Sessenta em diante a tendência se fortalece na crescente convicção da indissolubilidade do nexo entre Arte e Vida. A influência de John Cage e mais tarde de seu aluno Allan Kaprow, além de Robert Rauchenberg, junto à desarticulação do espaço artístico promovido pelo grupo japonês Gutai, traça o percurso de uma atividade que condiciona os vinte anos sucessivos.


Escreve Kaprow: “A linha entre arte e vida tem que permanecer fluida e o menos perceptível possível. O momento da performance é um momento forte, sagrado, mítico durante o qual a nossa percepção, o nosso comportamento e até mesmo a nossa identidade acabam modificadas”.


É neste contexto que atua Yves Klein ao rodopiar corpos nus impregnados de tinta azul ou reger uma orquestra muda ou ainda ao se jogar de uma janela para realizar um salto no vazio em uma rua em Paris.


Em resposta Piero Manzoni assina modelos nus e eleva o homem qualquer, em pé num pedestal, à categoria de obra de arte.


O processo de “desmaterialização do objeto de arte”começou.


Nestes anos e destas premissas se reforça o costume de usar a fotografia – realizada por profissionais da imagem, mas dirigida pelos artistas – como meio expressivo peculiar para a transmissão e conservação das obras.


As imagens fotográficas retêm memórias, conservam rastros e contemporaneamente transcrevem com meios diversos outras imagens, palavras e os significados de uma modalidade de realizar arte que marcou profundamente o desenvolvimento da história da segunda metade dos Novecentos.


Esta mostra tenta, portanto, deter o tempo e busca contar, com uma seleção de fotografias originais, as ações capazes de dar forma e duração ao evento performático.


A mostra provoca e solicita o visitante a ultrapassar um determinado hábito de olhar em favor de uma participação mais ativa, e sugere perceptivamente um significado de compartilhamento em relação ao conteúdo do material em mostra.

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