Glory Hole - Raree Show

Keila Alaver

Glory Hole - Raree Show

Keila Alaver

  • Período
  • 27.05 — 27.06.2015

  • Abertura
  • 27.05 — 6PM

  • Curadoria
  • Bruno Mendonça
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Inserido debaixo das escadas do prédio da galeria, o projeto Glory Hole apresenta escala e dimensões que fogem do padrão convencional dos espaços arquitetônicos expositivos (2,15 x 1,38 x 0,90 cm). Para a terceira edição, o pesquisador Bruno Mendonça convidou Keila Alaver.



texto de Bruno Mendonça:

 

O termo “Espetáculo Raro” (tradução de Raree Show) foi apropriado e trabalhado como uma proposição conceitual durante todo o primeiro programa de exposições do espaço Glory Hole da Galeria Jaqueline Martins durante o primeiro semestre de 2015. A partir deste input conceitual convidei artistas que a meu ver apresentam em suas produções uma grande possibilidade de articulação com a ideia de “Espetáculo Raro”. Neste sentido, uma artista que sempre me pareceu muito importante de estar neste projeto era Keila Alaver. Para mim poderíamos pensar metaforicamente na ideia de “Espetáculo Raro” em todo o trabalho da artista. Em suas instalações a artista cria ambientes que operam de forma intermediária entre o gabinete de curiosidades, o teatro e o décor. Em trabalhos como “A Loja”, “Floresta Banheiro”, “Jardim Pele de Pêssego” e “Corpo Mobília” isso fica extremamente evidente. Instigada então pelo espaço da galeria e por essa forma de entretenimento antiga e que conceitualmente pode desdobrar outras questões a partir da noção de “EspetáculoRaro”, a artista se apoiou na expressão “A Caixa Maravilhosa” (sanduk al-ajayib)– forma como era chamado este tipo de entretenimento na Síria Otomana – para criar seu projeto. Partindo dessa proposta Keila realiza um inventário dentro de sua própria produção deslocando obras, objetos, elementos e técnicas de trabalhos anteriores para a construção deste ambiente. Para este inventário a artista utiliza como referência os Gabinetes de Curiosidades que eram popularmente chamados de “Os Quartos das Maravilhas” entre os séculos XVI e XVII e que apresentavam coleções de diferentes naturezas que eram separadas em quatro eixos - artificialia, onde eram agrupados objetos criados ou modificados pela mão humana (antiguidades, obras de arte, etc.); naturalia, onde eram agrupados as criaturas e objetos naturais; exotica, onde eram agrupados plantas e animais exóticos; scientifica, onde eram agrupados os instrumentos científicos. A artista cria neste espaço novamente um ambiente híbrido que nos permite diversas leituras, pois podemos pensar nesta instalação como um livro espacializado, uma estranha peça de teatro ou o que poderíamos chamar de um pré-cinema.


Estes ambientes criados pela artista são extremamente complexos e apresentam algo de estranho familiar através de uma grande mistura de referências, estilos, estéticas e linguagens que fazem parte tanto do universo da arte quanto de outras áreas do campo da cultura. Poderíamos dizer que assim como esses outros ambientes já criados pela artista, a instalação “A Caixa Maravilhosa” é ao mesmo tempo barroca, dada, surrealista, punk, gótica, etc. Os trabalhos da artista são assim, difíceis de categorizar, difíceis de classificar, difíceis de catalogar, difíceis! A artista me faz lembrar um pequeno texto do crítico Bernard Stiegler que ele chama de “O Inatual”. Ao longo do seu texto, Stiegler problematiza mais especificamente a noção de contemporâneo e como isso se da no campo da arte criando relações problemáticas. Como o próprio autor coloca, talvez a arte esteja contemporânea demais. Em um momento em que tudo é tão decodificado, talvez sejam interessantes mais trabalhos como os de Keila Alaver em que tudo é estranho. Tudo é estranho! Que bom!

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