Kabuletês. Na Tonga da Mironga

André Parente

Kabuletês. Na Tonga da Mironga

André Parente

  • Período
  • 26.05 — 14.07.2018

  • Abertura
  • 26.05 — 14 hrs

  • Curadoria
  • Ricardo Resende
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Só nos resta girar. A vertigem pode nos dar a direção. 


Resvalamos nos últimos anos para um poço sem fundo do kabuletê. Na tonga da mironga você é o outro que não ouve e não fala. Você é o que olha e não vê, aí só lhe resta tomar uma pala e ai sim você vai ter que aprender, na marra. Mas se você não fuma, não traga e não paga pra ver, só resta lhe rogar uma praga pra te mandar pra tonga da mironga do kabuletê. Foi o que disseram com humor os dois músicos, Vinicius de Moraes e Toquinho nesse clássico da música popular brasileira diante da depressão sem fim, de ver um país esvair-se pelo ralo de uma história mal contada, sem começo e sem fim. É circular como a história que vai e vem. Rodamos e rodamos, damos voltas, nos contorcemos, trespassamos, mas não chegamos a lugar nenhum. Os compositores usaram a língua Nagô para dizer, xingar e extravasar a raiva que sentiam no período de nossa última ditadura imposta pelos militares. Agora, o atual sistema de repressão se dá por outras “mãos” das instituições de forma “branda”, branca e sufocante. 


A exposição de André Parente na Galeria Jaqueline Martins é um desatar o nó na garganta daqueles que hoje se sentem amordaçados e pode ajudar a liberar a angústia vivida no momento político no Brasil atual. 


Trabalhos como Bandalha, Irreal, Escola Sem Partido, Kabuletês, A Bela e a fera, Dona Raimunda, Curto-circuito, entre outros, desempenham esteticamente um papel político, e lembram a potência de trabalhos emblemáticos realizados nos anos 60, época de forte repressão à arte e à cultura, como os de Claudio Tozzi, Gilberto Salvador, Ana Maria Maiolino, Antônio Dias e Rubens Gerchman. Parente mostra uma coerência investigativa na sua trajetória que beira quatro décadas, olhando para as questões do visível, naquilo que se vê e no que não se vê, e o que está por detrás da planaridade da imagem cinematográfica. O artista transita pelo desenho, fotografia, performance, vídeo, filme e instalações. 


Historicamente as mostras são lugares onde artistas expressam e denunciam em suas poéticas a conjuntura das coisas no campo artístico, social e político. Essa exposição que apresenta sua trajetória corre riscos por mostrar trabalhos em que a mensagem é clara, direta e sem adjetivos. Trabalhos que nos levam a girar sem parar como uma forma de adquirir conhecimento em outra dimensão. 

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