especular

coletiva

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coletiva

  • Período
  • 03.02 — 24.03.2018

  • Abertura
  • 03.02 - 14hr

  • Curadoria
  • Hena Lee & Mirtes Marins de Oliveira
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3Nós3 — Ana Mazzei — Charbel-Joseph H. Boutros — Geumhyung Jeong — Gustavo Torrezan — Hudinilson Jr — Letícia Parente — Linda Montano — Rafael França — Ricardo Basbaum


O espelho, o objeto e seu resultado, exerce um fascínio nas sociedades ocidentais, localizado entre sua explicação científica e o mistério de suas distorções. Nas histórias ocidentais da arte, as obras “O Casal Arnolfini” (1434) de Jan Van Eyck e “As Meninas” (1656), de D. Velázquez utilizam desse artifício e afirmam a consciência histórica do caráter representacional das pinturas, ao introduzir no jogo interpretativo tanto o observador quanto o produtor das imagens. 


Esse elemento e sua lógica ganham relevância e recorrência durante o período no qual o surrealismo europeu escolhe o duplo como manifestação do par fetiche da mercadoria/objetificação humana para elaborar sua crítica ao capitalismo, e, ao mesmo tempo se entregar à essa ambiguidade da vida contemporânea. Recorrência que se apresenta, literária e visualmente, pela presença e representações de espelhos, e também manequins – esses quase humanos - que ganham vida, nos sonhos e nas alucinações surrealistas. 


A noção de duplo que o espelho provoca também foi reconfigurada no contexto da Guerra Fria. Reelaborada nas ficções científicas, nas quais inimigos extraterrestres e robôs são representações do inimigo do bloco ocidental e capitalista: o comunista como um igual porém diferente. Dessa maneira, o duplo e o espelho colaboraram nas formas de conceber as diferenças culturais desiguais, contribuindo para a permanência do colonialismo. Entretanto, o espelho e o duplo possibilitam a interpretação dessas relações dissemelhantes ao estabelecerem um lugar de cruzamento de olhares. 


Espelhamento e diferença é o mote do vídeo de Letícia Parente em “Especular” (1978), que designou o eixo conceitual da exposição em torno do qual as obras e os artistas foram aglutinados. Como um exercício lúdico e experimental, especular foi repensado como espelho e reflexo, mas também como duplas, ação e reação, não apenas entre figuras repetidas em imagens, mas relações entre artistas, objetos, imagens e observadores. Nessas relações, buscamos enfatizar semelhanças e diferenças, confrontos, dinâmicas e jogos de poder. O espelho como espaço político. Por fim, especular, a partir das conversas com artistas e seus trabalhos, aponta para elaborações de futuro, para imaginações de outros tempos e espaços. 

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