Condo Unit São Paulo

Condo Unit São Paulo

  • Período
  • 07.04 — 12.05.2018

  • Abertura
  • 07.04 — 14 horas

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Condo é um projeto colaborativo entre galerias de arte que ocorre anualmente em Londres e Nova York desde 2016. Através de uma rede de compartilhamento, a cada edição vários espaços de arte de uma mesma cidade recebem galerias e artistas internacionais para ocuparem seus espaços. Condo Unit São Paulo é a primeira versão do projeto a ocorrer na América-Latina, onde a Galeria Jaqueline Martins recebe: 


KOW (Berlim) 

A galeria apresenta uma seleção de obras do artista turco Ahmet Öğüt (1981) durante a Condo Unit em São Paulo. Em Stones to throw, Öğüt parte da tradicão de nose art, um fenômeno popularizado durante a Segunda Guerra Mundial de pinturas decorativas realizadas na fuselagem de aeronaves de combate. A instalação é composta por um conjunto de 10 pedras pintadas reproduzindo o mesmo tipo de ilustrações usadas nos narizes dos aviões militares. Stones to Throw foi uma instalação originalmente desenvolvida para Kunsthalle Lissabon, em Portugal e depois exibida como parte da Bienal de Sydney em 2014. Ao longo da exposição em Lisboa, 9 pedras foram gradualmente removidas e enviadas para Diyarbakir, cidade natal de Öğüt. As pedras foram recebidas por um amigo do artista e abandonadas nas ruas da cidade. Todo o processo de remoção, envio e abandono das pedras é documentado e apresentado como parte da instalação. A apresentação contará ainda com um trabalho novo em vídeo. 


Carlos/Ishikawa (Londres) 

Os trabalhos do artista canadense Steve Bishop (1983) apresentados aqui provém do trabalho Standard Ballad, uma instalação imersiva que considera as lacunas entre tecnologia e emoção, e a projeção de sentimentalismo e nostalgia. Dentro da instalação, entre ambientes que remontam à espaços domésticos, havia uma televisão no estilo dos anos 90 exibindo um texto em rolagem contra um fundo azul, algo que evoca o brilho da madrugada, quando os sinais de TV analógicos eram encerrados e só retomavam pela manhã. O texto descrevia o encontro do artista com caixas de sapato cheias de pertences pessoais, antes escondidas na casa de seus pais. Essas caixas continham fotografias, fitas cassete, cartas de ex-namoradas. As caixas de sapatos, agora apresentadas no Condo Unit junto a um roupão de banho, estão permanentemente seladas e são exibidas na mesma altura que a prateleira do armário em que eles estavam originalmente armazenados na casa dos pais de Bishop. As caixas tornaram-se assim pequenos caixões de memórias obsoletas e tecnologias pertencentes a um tempo diferente da vida pessoal do artista e a um mundo diferente pré-email, pré-jpeg, pré-digital, pré-mp3. 


Simon Preston (Nova York) 

Clement Siatous nasceu em 1947 nas Ilhas Chagos, um pequeno arquipélago isolado no meio do Oceano Índico. Ele passou a maior parte de sua infância na ilha de Diego Garcia até que ele e sua família foram despejados à força pelo governo britânico em 1973. Desde então, o Reino Unido foi responsável por criar uma ficção de que uma população permanente nunca existiu nas Ilhas Chagos. Em resposta direta à negação política continuada, Siatous começou a fazer de seu trabalho um contraponto ao “registro oficial”. Trabalhando com acrílica sobre tela, Siatous ilustra sua antiga vida em detalhes exaustivos, documentando as aldeias e casas de Chagos, bem como suas indústrias de copra e pesca. Como um dispositivo conceitual adicional, muitas das pinturas carregam a data de uma memória específica, e não a de sua concepção. Siatous considera cada pintura um ato político e descreve seu processo como “auto-imaginação”, um meio de reivindicar a propriedade de sua própria história. Através de sua jornada pessoal de recordação, Siatous lança uma rebelião desafiadora. 


Nuno Centeno (Porto) 

O trabalho da artista portuguesa Carla Filipe (1973) apresenta uma riqueza de expressividade, aplicada tanto no universo do desenho e trabalhos em papel quanto em instalações e livros de artista. Com frequência ela integra aspectos públicos e privados em seus projetos, criando um mundo que é referencial, mas também misterioso, no qual emergem significados inesperados. Suas técnicas se afastam do formato linear tão característico do desenho, desenvolvendo-se em qualquer parte dos espaços tridimensionais. 


PM8 (Vigo) 

A artista espanhola Loreto Martínez Troncoso (1978) usa palavras como veículos de transmissão; palavras que ela transpõe para investi-los com novos significados e criar novas situações. Seus trabalhos são palimpsestos em que a intertextualidade é um instrumento de comunicação, e suas ações manifestam-se na presença física do artista ou através de dispositivos destinados a atuar como um meio para o texto, monólogo, discurso ou conferência. A ideia do público como destinatário absoluto e inalienável sem o qual não há trabalho (para tomar emprestada a ideia de Rancière, “o espectador emancipado”) é desenvolvido em trabalhos recentes, onde a artista abandona a intervenção espontânea e a palavra é transmitida através de dispositivos físicos, como fones de ouvido, projetores e alto-falantes que o espectador ativa com sua presença. Ausência, neste caso, funciona como uma transposição de presença, pois, como a artista argumenta, “a não-ação também é uma forma de ação”. 


Proyectos Ultravioleta (Guatemala) 

Vivian Suter nasceu em Buenos Aires em 1949. Seus pais se conheceram na Argentina, a família de sua mãe emigrou para lá, fugindo de Viena em 1939. A família voltou para a Suíça natal do pai em 1962, e cinco anos depois Vivian se matriculou nas aulas de pintura da Escola de Arte e Design de Basel. Ao concluir seus estudos, ela viajou e acabou se estabelecendo em Panajachel, um vilarejo remoto na Guatemala. Juntamente com seu filho e mãe, a artista Elisabeth Wild, ela vive lá com apenas breves interrupções desde então. Embora entrevistas de Suter nos digam que suas pinturas são “sobre o vento, a chuva, os vulcões e a vastidão e clareza da paisagem tropical”, elas claramente não são representações dessas coisas. De fato, em vez de considerar essas telas como obras de arte (elas não são intituladas ou datadas), parece que Suter as vê como respostas físicas às circunstâncias em que são feitas. Ela com frequência diz que as considera “abstratos e imaginativos”. 

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