Começo de Século

ATO ÚNICO

Começo de Século

ATO ÚNICO

  • Período
  • 05 — 06.11.2019

  • Abertura
  • 05.11.2019 — 23:59hrs

  • Curadoria
  • Germano Dushá
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Parte exposição, happening e teatro experimental, a ação teve edição única na madrugada entre 5 e 6 de Novembro de 2019.


curador: Germano Dushá

assistente de curadoria: Guilherme Teixeira


Artistas:

Adriano Amaral, Ana Matheus Abbade, Ana Mazzei, ÃO, Bruno Baptistelli, Castiel Vitorino Brasileiro, CRISE, Daniel de Paula, Deyson Gilbert, Eduardo Araújo, Helô Duran, Janaina Wagner, Jonas Van, Juliana Frontin, Lucas Brandão, Felipe Rodrigues e Lucas Kanguru, Leandra Espírito Santo, Marcelo Mudou, Maria Noujaim, MEXA, Naves Cilíndricas, Nina Botkay, Paulo Monteiro, Ricardo Carioba, Santarosa Barreto, thingamajicks, Vitória Cribb.


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Começo  de  século,  virada  enigmática,  quem  teria  coragem  de  se  inclinar  na  beirada  do  abismo, para encarar no centro da escuridão, com o corpo posto, todas as feras, queimando a vista  diante  da  fenda,  que  abre  apartando  duas  eras?!  Como  um  joelho  que  dispara  de  encontro  às  costas,  corre  todo  dia  com  o  colosso  das  imagens,  claudicante  enquanto aumentam  as  escalas  das  infraestruturas  de  troca  em  microssegundos,  cada  vez  mais  abstratas. Com os desabamentos e lamaçais, fogaréus sobre selvas e trens, céus rachados e águas turvas, a metáfora não dá mais conta é de nada; e o ranger dos apetites tomando a superfície,  e  o  cardápio  infinito  de  drogas  com  aqueles  emojis,  e corpas novos-ciborgues,  próteses,  hormônios  e  vocabulários,  cravam  as  unhas  e  caninos  na  jugular  da  linguagem conhecida.  Começo  de  século,  se  manifestam  como  sempre,  esotéricas,  as  criaturas  terrestres. Na percepção das coisas todas não existe natureza, ou tudo é natureza, alguém vai dizer. Debaixo do roxo crepúsculo, a onça respira, o lobo copula e a cobra morde o próprio rabo. Jogo, chumbo, algoritmo, fluido ou maciço, enigmático. As horas, uma depois da outra, que trazem em seu interior pedras e conchas, ferros e tijolos, e por entre tudo o estalo, que a qualquer instante faz sentir o fio do que fica em pé, do que já vai ruir. Começo de século, sem nunca chegar em lugar algum, ​agora​ , estar em caminho, deslocar os passeios, benzer o olho,  enxergar na neblina, encarar o trágico, habitar a luz, invadir os vazios, diluir falsas dualidades, manusear  a  forma,  ver  de  dentro,  e  de fora, nós e os monumentos. Longe da letargia dos  corpos, acordar com os ícones na boca, mastigando o que é decisivo, afastando o agouro. O impulso químico do verbo. ​Potência em todos os aspectos​ ! 

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