A Gentil Carioca Jaqueline Martins

COLETIVA

A Gentil Carioca Jaqueline Martins

COLETIVA

  • Período
  • 08.04 — 13.05.2017

  • Abertura
  • 08.04 / 14h

  • Curadoria
  • Ricardo Sardenberg
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3Nós3 | Adriano Amaral | Ana Mazzei | Arjan Martins | Bill Lundberg | Cabelo | Charbel-joseph H. Boutros | Daniel de Paula | Débora Bolsoni | Guga Ferraz 

Hudinilson Jr | Ícaro Lira | Jarbas Lopes | João Modé | José Bento | Lais Myrrha | Laura Lima | Lydia Okumura | Maria Laet | Maria Nepomuceno | Martha Araújo 

Opavivará | Paulo Paes | Renata Lucas | Ricardo Basbaum | Rodrigo Torres | Stuart Brisley | Thiago Rocha Pitta | Viola Yeşiltaç | Vivian Caccuri 



A ideia de “obra de arte” é uma invenção particular da nossa cultura. Muitas outras sociedades não utilizam ou não tem esse conceito. Outras culturas criam imagens estáticas e visuais em que a sua função é conter e manter a alma viva. 

A palavra alemã Versuch guarda semelhança com a palavra francesa essai na medida em que ambas significam tanto “tentativa” quanto “ensaio” no sentido literário. Na verdade, este último sentido foi fixado tanto na língua francesa como na portuguesa a partir da mesma obra filosófica. 


É de ensaio que se trata esta exposição. 


Agindo como ajo, arriscando uma obra aqui, outra acolá, amostras tiradas do todo, isoladas, sem intenção preestabelecida, e nada prometendo, não tenho por obrigação realizar uma exposição de real valor? O que é uma exposição de real valor? Devo justamente defender que o valor real de uma exposição não é a coerência pré-determinada ou a consistência histórica ou do argumento do curador, e sim no que acontece de imprevisível quando poéticas diferentes se sobrepõem num espaço e tempo determinados. Não me acho comprometido em relação a mim mesmo e conservo a liberdade de variar, quanto me apeteça, os assuntos de que trato e a maneira de fazê-lo, sem que me retenham dúvidas e incertezas ou (o que acima de tudo me domina) a ignorância. 


No meu estilo, não me sinto obrigado à exatidão de um historiador, nem a originalidade de um curador, nem a excelência de um artista. Não tenho a presunção de que meus pensamentos não possam, no fim das contas, ter sido pensados por um outro, e por isso não tenho nenhuma preocupação com o fato de expor aqui ou ali algo que acabo de ver numa outra exposição. Nada aqui é inédito. Frequentemente faço outros dizerem por mim o que não sei dizer tão bem. Em meio a tantas coisas a serem emprestadas, fico feliz se posso roubar algo e mudar e disfarça-lo para algum novo proposito. 


As obras aqui expostas devem ser vistas como entidades múltiplas com um status ontológico e a capacidade para ação que varia de acordo o posicionamento que ocupam em relação as outras. Nada disso passa de um exercício sobre as possibilidades de expor e dispor as “obras de arte”. 

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