abrakadabra

COLETIVA

abrakadabra

COLETIVA

  • Período
  • 06.11.2014 — 24.01.2015

  • Abertura
  • 06.11.2014 — 18 horas

  • Curadoria
  • Cláudia Rodriguez Ponga
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Mario Ramiro — Bruno Palazzo — Raquel Stolf — Fina Miralles — Marisa Pons — Kina Marull — Loreto Martinez Troncoso — Stuart Brisley — Milan Grygar



abrakadabra 

(A dimensão mágica do som, da palavra às ondas radiofônicas, passando pelo canto das sereias)

 

“Sound is a charm, a binding of spells”

David Toop, Sinister Ressonance.

 

“A Hermés se atribuye también en su mito la invención de la musica y de la palabra(…) dios del aire o de los aires, (…) personificación de todos los demonios”

José Bergamin, La Importancia del Demonio.

 

 

Segundo um dicionário de palavras mágicas, ABABRA ABRAKAKRAKA é um termo mágico de origem babilônica: essa sequência quase cacofônica de sílabas (que mais tarde transformou-seno termo abracadabra, usado até hoje nos shows de mágica) era desenhada nas casas e no fundo das tigelas,seguindo o padrão de uma espiral. Destinava-se a capturar demônios que, inebriados,não conseguiam deixar de ler e seguiam o texto até ficarem imobilizados no meio da espiral. 

 

As teorias da magia são geralmente consensuais na definição de operações mágicas como uma combinação de sons, figuras, gestos e substâncias; além de, é claro, pressupostos do processo mágico mais difíceis de definir, como a vontade (fé?) ou o exercício e controle da fantasia (e dos fantasmas por ela produzidos) . Muitas vezes  descobrimos que uma ação mágica é possível simplesmente com o uso adequado de som e gesto ‒ e de alguns dos outros requisitos mencionados anteriormente. É esse o caso da espiral babilônica.

 

Ioan P. Culianu afirma que a dimensão mágica do som “está subordinada à teoria da origem natural das linguagens”, segundo a qual o significado das palavras não é arbitrário. As palavras e os fonemas que as compõem “derivam da linguagem oculta do espírito universal”, mas o uso que fazemos delas frequentemente não coincide com sua acepção original . A linguagem convencional é insuficiente. Para que um afeto seja comunicado, é necessário buscar: experimentando a voz, o ritmo, a poesia, o balbucio, o som, distorcendo sentidos, produzindo narrativas. Na tentativa de encontrar uma cadeia de sons que,na operação mágica, tenha um peso tão específico quanto um mineral ou uma planta: um som que comunique, que alcance. Um chamado que atraia, que conecte. Uma revelação que abra nossos olhos (arte), ou que os feche (publicidade).

 

O som viaja pelo ar e identifica-se com este elemento, com sua imaterialidade e espiritualidade. Afinal,  como diz Bergamin, palavra e música “são no ar”, se concretizam no ar, assim como os demônios, mal-afamados por portarem mensagens que o mundo material não deseja. Conforme o dito popular, “mate o mensageiro”:e os demônios foram demonizados. Ou seja, sons incorpóreos sempre representaram mau agouro. De fato, o som incorpóreo implica um olhar fixo e determinado: algo ou alguém, provavelmente o outro, está à espreita, quiçá pronto para nos atacar.

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